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50 anos de Opala, o primeiro Chevrolet nacional

Apresentado ao público pela primeira vez no 6º Salão do Automóvel de São Paulo no dia 23 de novembro de 1968, o Chevrolet Opala chega à marca de 50 anos de seu lançamento. Um veículo que ficou 24 anos em produção e quase um milhão de veículos vendidos. Até hoje possui uma legião de fãs apaixonados que o cultuam como religião e foi sonho de toda uma geração.

Chevrolet Opala no Salão do Automóvel de São Paulo em 1968

Os primeiros anos

No ano de 1966, a General Motors do Brasil percebeu que precisava produzir um carro de passeio em terras brasileiras já que, até então, a empresa apenas montava os carros que vinham desmontados dos Estados Unidos e já produzia a sua linha de caminhões e ônibus. No entanto, o projeto do opala não é exclusivamente um projeto nacional: a carroceria é a do Opel Rekord C ,com algumas modificações e mecânicas de quatro ou seis cilindros oriundos da linha Chevrolet americana. Essa é uma das maiores peculiaridades do modelo: os parafusos da carroceria são em milímetros, já os parafusos do motor são em polegadas, que é a medida usada nos EUA. Internamente, esse projeto ficou conhecido como Projeto 676.

 

Linha do tempo

Quando lançado, o Opala contava com apenas duas versões, a Standard, mais básica, e a versão Luxo, como é de se esperar, mais completa. Só possuía uma versão de carroceria, a sedan de quatro portas, o câmbio era na coluna

Material publicitário para a linha 1969

de direção com apenas  três marchas e podia ser com a motorização de quatro ou seis cilindros, de 2500cm³ e 3800cm³, respectivamente. Assim seguiu até 1971, quando surgiu a versão Gran Luxo, como topo da linha e a esportiva SS,que vinha apenas com o motor de seis cilindros de 4100cm³ e câmbio de quatro marchas, já no assoalho. 

 

Em 1972, veio o Opala de apenas duas portas, como era o gosto do brasileiro na época, visto que veículos de quatro portas eram depreciados por serem “carros de taxistas”, costumes da época.  Se o SS 1971 não possuía um estilo esportivo graças a sua carroceria de quatro portas, a versão coupé se tornou um sucesso e um sonho de consumo de muita gente. A linha Opala não passou por muitas mudanças nos anos seguintes, apenas na grade dianteira e na traseira do veículo.

 

Em 1974, com a crise do petróleo, a Chevrolet lançou o Opala SS de quatro cilindros, com visual esportivo, mas com um motor mais econômico que o 4100cm³. Já no ano de 1975, apareceu a primeira grande reestilização do modelo, passando a contar

Material publicitário para o lançamento da linha 1978

com dois pares de lanternas na traseira e com mudanças na dianteira. Mudou a nomenclatura das versões; a mais básica era a Standard; a De Luxo era a intermediária; a Comodoro era a versão de topo e a SS seguia sendo a esportiva. Nesse mesmo ano foi lançada a perua Caravan, apenas nas versões Standard e de Luxo, seguindo até 1978, quando ganhou as versões SS e Comodoro. Com mudanças sutis durante os anos a linha Opala segue sem grandes mudanças até 1980.

Seguindo a tendência da época, a linha Opala ganhou linhas mais retas na dianteira e na traseira, principalmente nos faróis e lanternas.  As versões foram reorganizadas: a versão mais básica se chamava L; a intermediária a Comodoro; a mais completa o Diplomata e o fim do SS. A maior curiosidade dos modelos de 1980 era que apesar de moderno por fora, mantinha o mesmo interior do final dos anos de 1970, com instrumentos arredondados. Curiosidade essa que só foi corrigida no ano seguinte, com a adição de mais plástico no interior. A linha seguiu praticamente inalterada até 1985.

 

Para o ano de 1985 a GMB preparou mais um facelift (termo em inglês que significa remodelação) para toda a linha Opala e Caravan. Os modelos ganharam novo conjunto ótico e nova grade dianteira. Na versão Diplomata, foram anexados faróis de milha ao lado dos faróis. Na versão Comodoro, apenas a grade foi alterada. Surgiu a versão Diplomata da Caravan.

 

Em 1988, já prevendo o fim da vida do modelo e tentando dar um gás de mais alguns anos no modelo,foi feito mais um facelift, a frente foi remodelada para reduzir o excesso de linhas retas. Os faróis ganharam linhas trapezoidais. Já

Material publicitário de 1990

na traseira do Opala foi inserido um aplique plástico, que tampava o bocal do tanque de combustível e ligavam as duas lanternas traseiras. O modelo duas portas foi descontinuado. Restaram na linha apenas o modelo de quatro portas e a perua Caravan.

 

O ano de 1991 preparou a última reestilização de toda a linha. Para-choques de plásticos que envolviam a carroceria – no Diplomata, os para-choques possuíam a mesma cor do resto do carro, já no Comodoro eles eram na cor cinza – , abolição dos cromados por todo o veículo e remoção dos quebra-ventos nos vidros dianteiros. Na parte mecânica, pela primeira vez na linha o motor de 4.1 litros ganhou transmissão de cinco marchas. Com um número baixo de vendas, a Chevrolet decidiu encerrar a produção do Opala em 1992 e lançou a versão Collectors do Diplomata, com apenas 100 carros feitos. Eles só saíam em três cores, câmbio automático, todas as descrições em dourado, chaves douradas e uma fita que contava toda a história do modelo, como os materiais de publicidade e o dia em que os últimos dois exemplares.

 

O Opala na Cultura brasileira

 

Não é raro achar histórias que envolvem o modelo. Como por exemplo as inúmeras músicas que citam o carro, como Dezesseis da banda brasiliense Legião Urbana, que conta a história de um rapaz que era o rei das corridas de rua com seu Opala metálico azul. O grupo de Rap Racionais MC’s também possui músicas que falam do veículo, assim como outros grupos de Rap.

 

Mas talvez a história mais conhecida seja a da telenovela “A Próxima Vítima” da TV globo, na qual o maior vilão da trama usava um opala preto para cometer seus crimes.

 

O Opala nas pistas

 

Quando foi lançado, em 1968, as revistas especializadas o elegeram o modelo de seis cilindros como o veículo mais veloz do Brasil. Desde então,o Opala ocupa um espaço no coração de quem é aficionado por velocidade.

 

Esse sucesso nas pistas cresceu mesmo no ano de 1979, com a criação da Stock Car. Eram Opalas de

Stock Car no inicio dos anos 1980

duas portas e seis cilindros com uma preparação no motor correndo em circuitos pelo Brasil. A primeira etapa foi no circuito de Tarumã, no Rio Grande Do Sul. O primeiro campeão da categoria foi o piloto Paulo Gomes. 

 

No ano de 1992, um Opala da Stock Car estabeleceu o recorde de velocidade no Brasil atingindo 300km/h na Rodovia Rio-Santos.

 

O modelo foi o veículo oficial da Stock Car até 1993, quando foi substituído pelo Omega. Tentando trazer o charme da Stock Car de 1979, foi criada a Old Stock Race. Categoria que utiliza o Opala de duas portas e mecânica de seis cilindros com preparação para corridas. A categoria visa trazer a emoção de corridas com carros totalmente sensoriais, onde o controle de tração e estabilidade são habilidades do piloto. Tanto é que o slogan da categoria é “A emoção está de volta”.

 

Distante da Stock Car, não é raro de se ver, opalas preparados desfilando e acelerando por aí com seus motores tinindo e roncando alto, seja em circuitos ou provas de arrancadas.

 

As lembranças de um entusiasta

 

Robinson Porfirio, 51, é professor, apaixonado por Opalas. Sua primeira lembrança com o modelo é o Opala de Luxo Amarelo com teto de vinil branco de 1973 que seu pai possuiu por vários anos e que aprendeu a dirigir quando criança (eram outros tempos).Foi amor à primeira vista. Esse Opala foi vendido em 1982 e até hoje Robinson se lembra de sua placa.

 

Ao longo dos anos outros carros passaram pelas suas mãos. Aprendeu a fazer manutenções básicas com seu pai, o saudoso Hélio Porfirio, que já no final de sua vida, com a saúde mais debilitada, não sabia mais quem ele era, mas lembrava que o melhor carro que possuiu foi um Chevrolet Opala.

 

No final da rápida entrevista, Robinson diz: “Opala não é só um carro. É uma lenda. Quem gosta passa de pai pra filho”.

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