home Atividades laboratoriais A realidade do ensino: quais são os desafios para uma educação inclusiva?

A realidade do ensino: quais são os desafios para uma educação inclusiva?

Os desafios enfrentados para uma educação de qualidade são conhecidos por todos. No entanto, uma parcela de nossa sociedade ainda vive sob a sombra do esquecimento quando esse assunto está em pauta: as pessoas portadoras de deficiência. O principal problema está na falta de investimento em infraestrutura e suporte

Tomando a situação dos surdos como exemplo, já que o assunto está em pauta devido ao Enem de 2017, é possível visualizar como essa área da educação é deixada de lado.

De acordo com o decreto 5.626/05, o ensino de língua portuguesa é obrigatório para pessoas com algum tipo de deficiência auditiva. Sendo assim, as escolas devem dispor de professores preparados para exercer essa função. Além disso, a lei também prevê que crianças em período de alfabetização tem direito a um intérprete de libras em sala de aula, bastando apenas que os responsáveis pela criança façam a solicitação na secretaria da escola. O decreto também determina que universidades contratem intérpretes em libras para atender seus alunos e ajudar na inclusão de surdos no ensino superior.

Na realidade

No entanto, segundo pesquisa realizada pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), a maioria das escolas brasileiras não estão capacitadas para ensinar deficientes, já que das 197 mil existentes no país, apenas 85 mil tem estrutura para ensinar portadores de deficiência.

 

De acordo com o Censo Escolar 2016, realizado pelo INEP, dos mais de 900 mil alunos com necessidades especiais matriculados em escolas, apenas 19% desfrutam de salas projetadas para atendê-los. Os outros 81% dos alunos frequentam salas normais.

Os números podem ser encarados de forma animadora, pois mostram que a inclusão de alunos deficientes está acontecendo. Porém, no atual cenário, o que acontece é uma exclusão desses alunos.

Professores sem preparo

Em relação aos professores, o número de profissionais preparados para atender esses alunos no Brasil é de pouco mais 60 mil, número muito abaixo do ideal, já que o número de deficientes presentes em sala de aula já passa de 900 mil.

A principal causa desse déficit está na própria formação dos profissionais. De acordo com Juliana Barboza Doto, professora do Cepro (Centro Profissionalizante Rio Branco) a maioria dos cursos de graduação de professores não incluem disciplinas referentes a incorporação de estudantes deficientes. Ainda de acordo com a pedagoga, o desinteresse por essa área de educação também se deve ao próprios alunos de pedagogia. “Na minha época, quando estudava eram mais ou menos 100 alunos e apenas eu sabia libras, os outros nem se preocupavam e faziam por obrigação da disciplina”.

Legislação

A legislação brasileira tem criado mecanismos que visam aumentar a inclusão de alunos deficientes no ensino comum, ou seja, fora de escolas ou salas especializadas.

○ A lei mais importante quando tratamos desse assunto é Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/15). No âmbito escolar, a lei determina o ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos de tecnologia assistiva. Além disso, as escolas também devem incluir seus alunos em todas as atividades, sem distinção, para que a exclusão não aconteça.

Entre os mais notáveis está o decreto nº 6.094/07, que garante o acesso desses estudantes ao ensino e não permite que as escolas proíbam a entrada dos mesmos.

O artigo nº 7.611, criado em 2011, contribui com a inclusão e estabelece que o atendimento especial deve ser gratuito. Sendo assim, as escolas dispostas a ter intérpretes não devem cobrar dos responsáveis pela criança. O mesmo vale para universidades.

O atendimento especial para esses alunos também está previsto na Constituição no capítulo III, Seção I, Artigo 208, Inciso III. O artigo assegura o Atendimento Educacional Especializado aos deficientes, porém, em nenhum momento é dada alguma instrução de como esse atendimento deve ser feito.

O artigo 59 da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) prevê que professores que lidam com alunos deficientes devem ter uma formação específica, no entanto como já citado, essa formação não é inclusa na maioria dos cursos de graduação pedagógica.

No entanto…

Ainda que tenhamos leis apontando para um ensino inclusivo, a realidade ainda está longe de chegar ao patamar ideal. O alto número de deficientes fora das escolas (cerca de 1 milhão e 500 mil) evidencia o quanto ainda há muito o que ser mudado.

 

 

Como pode ser visto através dos dados apresentados, os deficientes estão completamente em um mundo à parte do nosso e a sua realidade é ainda mais cruel e esquecida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *