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De quem é a cidade?

Iniciativas para a revitalização do centro voltam a ser pauta, porem mais do que restauro de fachadas, o sentimento pela cidade precisa ser resgatado

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Rua Barão de Itapetininga (foto:Caroline)

      Apropriar-se da cidade e entender que somos parte integrante dela, é início de um longo caminho a ser percorrido para o surgimento de um novo centro.

A região central dentro de seus complexos, torna-se do lugar menos populoso e o mais movimento. A facilidade como acesso de ônibus a metrô levando e trazendo milhares de pessoas por dia, indo não apenas para seus trabalhos, mas para os diversos estabelecimentos de lojas a bares, não fica difícil ouvir que no centro “fica tudo pertinho”. Mas com diversos problemas persistentes, de lixo, moradores de rua, prédios pichados, no lugar de reconhecer-se na cidade, ficou o sentimento de que São Paulo é a cidade de todos e de ninguém.

Para o urbanista Luiz Kohara, é necessário o resgate da participação das pessoas nas decisões do território, “Em qualquer desenvolvimento da cidade é essencial que as pessoas participem diretamente desse processo, e ela tem que se sentir parte do lugar, que trabalha, estuda ou mora”, explica Kohara.

O historiador e cientista político Luiz Gabriel, explica que o que falta para que ocorra um empoderamento da cidade, e as pessoas preservarem e respeitarem as nuances de sua história, “Quem tem memória vai cuidar da sua cidade e vai se sentir pertencente daquele espaço. Quando você não tem esse sentimento, você não se importa com o que está acontecendo”, afirma Gabriel.

Ao longo da história a cidade foi se perdendo, e o centro virou lugar de passagem, não de encontros. Nas corridas do dia a dia, um transporte e outro, perdemos a ideia de que a cidade é para as pessoas.

O centro tem uma simbologia única, para quem vive e para quem passa. Nele. se converge todos os acessos por mobilidade pública, e este é apenas um dos  potenciais do coração da cidade da garoa.  Para o urbanista Kohara,“ o que falta em São Paulo, são espaços públicos, espaços de lazer de encontro das pessoas”.

Ver uma metrópole do tamanho de SP, precisamos ter um centro dinâmico que acolha toda a diversidade que existe na cidade. A riqueza que o centro traz em sua Diversidade racial, cultural e histórica.

Conhecimento é a palavra-chave, no que diz respeito a cidade cinza que é São Paulo. Conhecimento de seus direitos, e de quem você é na cidade. Assim guardará o que foi e não deixará de acreditar e reivindicar o que pode ser esse espaço. Não apenas os paulistanos, mas a todos aquele que se permitiram ser acolhidos pela cidade.

Minha vida no centro

 Luís Carlos, 65 anos,  trabalha com turismo.

Mora no Bela vista há 15 anos

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“Gosto muito de morar no centro, aqui é tudo pertinho, restaurante, biblioteca… Estar no centro é um privilegio e uma felicidade, pois posso  fazer as coisas perto de casa. Eu posso ir e vir a pé. Me acostumei com o barulho dos carros, da musica. Só me incomoda é que aqui tem muito mendigo. Não me conformo com esse descaso!

Outra coisa, é a sujeira. As pessoas tem que aprender a cuidar da cidade. Muitos que vão passear com seus animais no centro não recolhem as fezes do bichinho, aí suja tudo é difícil ver alguém com o saquinho plástico para recolher, melhor não ter bicho, né? Revitalizar o centro  para seria maravilhoso! Temos prédios lindos aqui, mas que estão todos abandonados. “Ver tudo bonito é um sonho meu, porque para mim o centro sempre será o cartão de visita da cidade.”

 

Roberta Nascimento, 25 anos

Vendedora ambulante

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“Eu moro no centro desde criança, mudei  de casa varias vezes, mas sempre continuei na região. Hoje estou morando na Santa Efigênia, fazem 3 anos na verdade, o que é ótimo pra mim porque a acessibilidade é melhor. Confesso que as vezes tenho vontade de morar em lugares mais calmos, sabe? Mas, a vida aqui também é boa. O que precisa melhorar é a questão da segurança. Quando não tem evento aqui no centro, parece que tudo fica abandonado. Aqui a noite é muito perigoso, principalmente para as mulheres, e no lugar que eu moro é próximo a cracolândia também, então você não consegue sair de casa tranquilo porque tem muito ‘nóia’ e alguns podem te assaltar, é muito difícil. Por isso, acredito que para o centro melhorar precisamos de um prefeito que verdadeiramente se preocupe com a gente, claro que as pessoas precisam colaborar com a cidade, mas aqui tá tudo velho, onde eu moro é centro mas esta tudo feio.”

 

Armando Okuno, 67 anos, Trabalha na banca de jornal

“Moro na armando-okunoRepublica a 8 anos, mas trabalho com a banca a 16 já. Escolhi morar aqui no centro por causa do meu trabalho, mesmo. Eu venho andando e não passo estresse. E já sou velho né [risos]. Estar por aqui é bom porque posso resolver minhas coisas e ter acesso a tudo também. Mas não vou mentir,  não gosto de ver esse monte de gente na rua. Para onde você olha tem um mendigo. E não é só por causa de insegurança, porque a maioria desses aqui n
ão roubam , quem rouba são uns que você nem espera e passam de bicicleta, mas os caras dormem aí e usam o chão como banheiro…A prefeitura devia tomar mais conta dessas praças, por um guarda civil, e já que não tiram eles da rua, seria bom ter um banheiro para os caras terem acesso. Aí não ia sujaria tanto a cidade né.Prometem tanto nas campanhas de eleições, depois não vejo nada. O centro de São Paulo é bom, lindo, mas falta vida. Aqui só não cresce mais por causa dessas questões que parecem nunca serem resolvidas.’

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