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Venda de ingressos nos cinemas sofre declínio ao longo dos anos

Texto: Bianca Bispo e Nathália Garcia

Revisão: Marjorie Slivinski e Thaynara Moretti

 

Queda pode ser justificada por streamings e recursos que ganharam a atenção do público com o tempo

Na década de 70, o cinema era considerado a maior forma de entretenimento, tanto no Brasil quanto em outros países. Sendo assim, qual seria o motivo de seu declínio ao decorrer dos anos?

Antes das grandes formas de streamings – tecnologia de dados multimídia distribuídos em uma rede – ganharem maior acessibilidade, como o Netflix e até mesmo o HBO Go, o recurso de filmes compactados em fitas VSH – “Sistema Doméstico em Vídeo” – e DVDs começaram a ganhar seu espaço. Com isso, o investimento em ingressos de filmes começou a cair, levando em conta que o conforto de ter seu próprio sistema de reprodução de filmes dentro de casa encanta cada vez mais o antigo público assíduo dos cinemas. Além disso, quem se locomove até uma rede de cinema sabe que os gastos vão muito além dos ingressos.

Nos Estados Unidos, pesquisas revelam que entre 45% e 50% do lucro dentro dos cinemas vem do consumo das famigeradas pipocas, “snacks” – como balas e salgadinhos – e bebidas. No Brasil, segundo a rede de cinemas UCI – United Cinemas International – 50% do público que se locomove até os cinemas não gastam seu dinheiro somente com o filme em si, mas também com os pontos de venda de comes e bebe. Tais pontos de venda ainda conseguem dirigir seus investimentos a brindes e produtos relacionados aos filmes que mais bombam nas bilheterias – produzem copos e baldes de pipocas personalizados, para chamar atenção do público que se identifica com cada saga ou franquia.

De acordo com pesquisas realizadas em 2009 pela UNICAP – Universidade Católica de Pernambuco – 43,15% das pessoas compravam suas guloseimas na própria lanchonete do cinema, 41,6% compravam em lojas de departamento e apenas 1,1% compravam antes de ir ao cinema. A prática de consumir produtos do próprio cinema sempre foi a mais utilizada, sendo que, desde 2007, segundo o artigo 6º, inciso II, do Código de Defesa do Consumidor, obrigar o consumidor a gastar com algo dentro de um estabelecimento específico é uma prática abusiva, ou seja, não há nenhum problema levar seus próprios comes e bebes de casa (ou comprados em outros lugares) para dentro das salas cinemas. Quem utiliza de tal recurso e é barrado, como muitas vezes acontece, recebe um respaldo da lei.

Consumo
No Brasil, são consumidas cerca de 80 mil toneladas de pipoca por ano

Entre 1975 até 1979, o público brasileiro chegou a comprar cerca de 300 milhões de ingressos por ano, o que foi reduzido para menos da metade na década de 1980. Já na década de 1990, esses números chegaram a 75 milhões de ingressos anualmente vendidos no Brasil, uma queda de aproximadamente 75% em 20 anos. Atualmente, estes números não possuem uma grande variação, sendo que o ápice da bilheteria brasileira em 10 anos aconteceu em 2005, quando mais de 100 milhões de ingressos foram vendidos no país.

Em 2013, o jornal The Guardian publicou dados da bilheteria espanhola nos quais era possível ver uma queda na bilheteria de 15% em relação a 2012. O jornal ainda disse que o fato disso acontecer pode ter sido a pirataria e principalmente o aumento dos impostos dos ingressos, que subiu de 8% para 21% no país. Este declínio também ocorreu com as vendas hollywoodianas, na Califórnia (Estados Unidos), que de um ano para o outro, geralmente, tem um aumento nas vendas de 5%. Em 2010, as vendas sofreram uma queda de quase 3%, faturando aproximadamente 10 bilhões de dólares a menos. Além disso, os filmes que mais faturam são os filmes de ação e, no Brasil, são responsáveis por 68% da preferência do público, de acordo com o Ibope.

Público no Brasil

Segundo o professor de cinema da Universidade de São Paulo, Roberto Moreira, “todas as pesquisas sobre as expectativas do público com o cinema em geral, brasileiro ou estrangeiro, mostra que ele está interessado em duas coisas: uma é filme de ação e a outra é a comédia”, que são os gêneros mais cobiçados, conforme mostram as bilheterias.

Mas esse declínio não significa que o cinema deve acabar somente pelo fato de que uma parte da população prefere continuar assistindo filmes em casa ou algo relacionado. Os próprios filmes de ação, por exemplo, necessitam do aparato de uma sala cinematográfica, com a acústica correta e tela projetada de forma a dar mais realidade àquilo que está sendo transmitido, o que não é possível de ser reproduzido em espaços sem tais recursos. Já que o gênero é o mais requisitado pela população brasileira, pode-se notar que quem frequenta os cinemas para ver ação não vai deixar de ir por um motivo pequeno. Também há aqueles que vão aos cinemas para assistir um determinado tipo de gênero, como desenhos infantis e comédia, devido à presença de outras pessoas que tornam aquela experiência diferente, com uma alegria contagiante e risadas que se espalham pelas salas. Como pontos positivos, o cinema permanece sendo uma forma de aproximação de pessoas, estreitando relacionamentos e sendo utilizado como entretenimento ainda nos dias de hoje.

É possível ver o gênero da comédia em segundo lugar na preferência do brasileiro, com 50%. Sendo assim, realmente há pessoas que de fato não trocariam seus sofás por uma sala cheia, mas existem aqueles que não trocariam a experiência de presenciar um lançamento ou um filme do tipo mais cult em um espaço cheio de pessoas de diferentes classes sociais e estilos de vida. Essa diferenciação não existe quando todos se unem com um objetivo em comum, de adquirir novos conhecimentos e sentir as vibrações que uma sala de cinema pode passar.

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