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Dia Internacional da Mulher: uma data para lutar por direitos iguais

Foto: mulheres nas ruas de São Paulo. Reprodução/Midia Ninja

Você já imaginou como seria um dia sem mulheres? Em que o sexo feminino deixasse de fazer qualquer tipo de trabalho, tanto em casa ou no serviço? Onde elas abrissem mão do chefe, do marido e filhos, esquecessem a limpeza de casa ou de fazer a comida que faz diariamente? Se não pensou nisso, o dia 8 de março foi dedicado a mulheres para colocar em prática essa iniciativa.

Marcada para o Dia Internacional da Mulher, a GIM – Greve Internacional de Mulheres – mobilizou mulheres ao redor mundo. Com o intuito de reivindicar os direitos das brasileiras, o movimento feminista 8M Parada Brasileira de Mulheres [organizado no país], propôs um dia de paralisação total das atividades femininas.

Com a ideia principal de não fazer tarefas domésticas ou remuneradas, além de não comprar nada no dia 8 de março, a GIM pretende visibilizar o impacto que essa paralisação pode provocar sobre a importância da presença feminina na sociedade. “Acho que a forma de construção coletiva e horizontal dessa greve tem se mostrado uma ferramenta para construir essas alianças entre as cidades, de aproximar as mulheres em torno de uma mobilização cidadã. Talvez seja esse o maior legado que a GIM pode trazer para o Brasil, construir vínculos fortes para lutarmos juntas daqui para frente”, afirma Mariana Bastos, uma das organizadoras do evento no Brasil, em entrevista ao site Vix.

Por isso, o movimento exige que o governo tome uma atitude sobre o assunto. Com o slogan “Se nossas vidas não importam, produzam sem nós”, a paralisação ocorreu em diversas cidades brasileiras, como: Brasília, Belo Horizonte, Cuiabá, Fortaleza, Curitiba, Goiânia, Boa Vista, Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, entre outros.

Mariana também falou sobre a importância das mulheres irem às ruas. “Temos um feminismo vibrante e combativo na internet, mas que ainda pena para mobilizar multidões de mulheres nas ruas a despeito do fato de sermos o quinto país do mundo em taxas de feminicídio”. Na América Latina, os números desse crime hediondo são alarmantes. Segundo a ONU, 14 dos 25 países da região, obtêm as maiores taxas de morte de mulheres no mundo.

A paralisação ocorreu em mais de 40 países, como: Austrália, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Checa, Equador, Inglaterra, França, Alemanha, Guatemala, Honduras, Islândia, Irlanda do Norte, Irlanda, Israel, Itália, México, Nicarágua, Peru, Polônia, Rússia, El Salvador, Escócia, Coreia do Sul, Suécia, Togo, Turquia, Uruguai e EUA, cada uma reivindicando aquilo que é necessário mudar em seu país.

No Brasil, as mulheres adotaram a bandeira Argentina Ni Una A Menos [Nenhuma a Menos, que surgiu após duas jovens argentinas, que viajavam pela América do Sul, serem violentadas sexualmente e mortas por dois homens no Equador], por ter exigências parecidas com as do país vizinho, que lutam contra a diminuição de políticas que atendam às minorias e exigem o direito de aposentadoria de trabalhos domésticos.

Além disso, as brasileiras batalham contra o feminicídio, o machismo e a diferença salarial entre gêneros, onde os homens recebem, em média, 26% a mais que as mulheres na América Latina. Lutam também pelo fim do controle que a Igreja tem sobre seus corpos, pela legalização do aborto e, principalmente, contra o projeto de reforma da previdência social do governo Temer, que prevê a igualdade no tempo de contribuição entre os dois gêneros, desconsiderando a dupla jornada de trabalho das mulheres.

No entanto, Mariana Bastos deixa claro a importância de ressaltar que o ato do dia 8 foi apenas uma demonstração visível de um processo no qual mulheres do mundo inteiro estão se conectando diariamente, construindo alianças há meses e se fortalecendo para reagirem de forma mais coesa, rápida e eficaz a ameaças de perdas de direitos, seja em nível local, regional ou mundial.

Na página oficial do Facebook Parada Brasileira de Mulheres, todos podem acompanhar as manifestações que aconteceram ao redor do país através de postagens e vídeos. Em São Paulo, por exemplo, elas ocorreram em vários pontos da cidade, como na região da Sé, Paulista e Brigadeiro, segundo a página oficial da paralisação.

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