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Jornalistas contra o assédio

Fundado em junho de 2016, o movimento “Jornalistas contra o assédio” surgiu após o caso da estagiária em jornalismo, Giulia Pereira com 21 anos na época, ter sofrido assédio sexual enquanto entrevistava o músico Biel. Segundo a jornalista Janaína Garcia, uma das fundadoras do grupo, a ideia veio espontaneamente quando a estagiária foi demitida por denunciar Biel. Após isso, inúmeras mensagens de solidariedade à Giulia foram postadas nas redes sociais.

Com a repercussão de uma mensagem em tom de protesto feita por Janaína, a mesma, em parceria com a repórter Thaís Nunes, criou um grupo no Whatsapp,  para relatar os casos envolvendo assédio sexual.

Além dos assédios, as integrantes do grupo relatam que muitas colegas de profissão, são impedidas de realizar algumas reportagens unicamente por seus superiores acharem que a pauta não é apropriada para elas, deixando os homens com as que atraem mais atenção.

Segundo Thaís, vários assédios partem de entrevistados e fontes, infelizmente alguns deles propõem sair com as jornalistas em troca de concederem entrevistas ou informações.

Muitas vezes, até mesmo dentro das redações, as jornalistas são incentivadas a aceitar as propostas com os argumentos que isso ajudaria a sua carreira. Quando exercem suas atividades fora das redações, chegam a ser hostilizadas por estarem envolvidas com pautas consideradas inadequadas para elas.

A hashtag que leva o mesmo nome do movimento das jornalistas, sempre está presente em algum comentário de protesto ou em relatos de vítimas nas redes sociais.

 

 

A campanha também é um alerta para prevenir a origem do problema, mais conhecido como “Machismo”. Ela mostra que os assédios não são culpa das mulheres, e além disso é um problema de todos. Boa parte dos assédios vêm de homens com o nível hierárquico maior do que o das vítimas, mostrando que é unicamente um caso de violência machista, pois trata-se de uma demonstração de poder.

Quando mulheres do meio jornalístico sofrem assédio, na maioria das vezes, não é dada a devida importância, pois a maioria das pessoas, por verem as jornalistas de forma extremamente séria e imaculada, não leva em conta que está diante de um ser humano. Nas vezes que os casos vêm à tona, sendo na maioria das vezes envolvendo personalidades conhecidas, causa espanto em todos. Não pelo ato em si, mas por aquela personalidade ter passado por aquilo.

Um grande exemplo é a jornalista Sandra Annenberg, apresentadora do Jornal Hoje, que ao conceder uma entrevista à revista Contigo, revelou ter sofrido assédio sexual. Após o ocorrido, a jornalista e apresentadora passou a lutar com maior afinco pelos direitos das mulheres.

Apesar do foco sempre ser o assédio sexual, o movimento  se preocupa com o assédio moral, que também é prejudicial, pois ele acaba impulsionando outros mais por se tratar de  subjugar e diminuir a vítima, o que leva novamente ao conceito de “poder”.

Mesmo a campanha ter sido criada por jornalistas e para jornalistas, suas criadoras mostram que o movimento é bem mais abrangente, podendo amparar mulheres que não são envolvidas com o meio e permitir que pessoas de outras áreas profissionais integrem o grupo. Como no caso da figurinista Susllem Tonani, assediada pelo ator José Mayer, que teve o apoio de diversos jornalistas que fazem parte do “Jornalistas contra o assédio”. Personalidades, principalmente políticas, também se uniram ao ideal, mas Janaína e Thaís deixam claro que  o movimento é apartidário e não querem se envolver com política.

 As pioneiras do grupo, não deixam de ressaltar que um grande número de homens se mostraram interessados em se juntar ao movimento, jornalistas ou não. Isso mostra que não é necessário ser do mesmo gênero ou profissão para lutar contra a opressão que as mulheres sofrem há anos.

Ainda que a campanha se mostre bem numerosa e composta por pessoas influentes não há muita divulgação. Toda a mobilização iniciou-se nas redes sociais, porém não se vê a repercussão esperada pelo tamanho da proposta que o projeto traz.  Por mais que todos esses meios digitais sejam essenciais, as mídias consideradas antigas,como a televisão, ainda atraem um grande número de pessoas, mas mesmo assim não têm falado sobre o movimento, sendo que grandes personalidades que fazem parte desse tipo de mídia poderiam tentar encontrar um espaço para  que a população tenha mais informações sobre o “Jornalistas contra o assédio”.

 

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