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Leitura: um caminho no combate ao analfabetismo funcional brasileiro

Hábito de leitura ajuda a melhorar o senso crítico e a interpretação de textos

Pesquisas nacionais mostram um quadro preocupante no hábito de leitura dos brasileiros: o analfabetismo funcional. O brasileiro lê mais, porém restam desconfianças sobre a qualidade dessa interpretação, além disso há uma clara deficiência na compreensão do que é lido.

Uma das maiores causas do analfabetismo funcional é a qualidade do ensino. No Brasil, nota-se uma maior importância da quantidade em detrimento da qualidade, são muitos diplomas e poucos conhecimentos. A progressão continuada, que muitos chamam de aprovação automática da educação pública brasileira, acaba por perpetuar a educação de alunos que concluem seus estudos sem atingir os conhecimentos necessários.

Uma pesquisa feita pelo Ibope Inteligência, desenvolvida pela ONG Ação Educativa e pelo Instituto Paulo Montenegro indica que 29% dos brasileiros são considerados analfabetos funcionais. Deste total, 8% são analfabetos absolutos (aqueles que não conseguem ler frases e palavras). Outros 21% estão no nível considerado rudimentar, ou seja, não conseguem localizar informações em calendários e tabelas. Já os considerados analfabetos de nível 1, são leitores capazes de reconhecer códigos, identificar palavras, mas não entende inteiramente a mensagem transmitida.

E qual seria a raiz desse problema?

De acordo com o jornalista Marcos Stefano Couto, são vários os problemas e facilmente identificáveis, mas que demandam políticas sérias tanto de ensino quanto de inclusão social. “Sem dúvida é preciso trabalhar contra essa questão. É uma questão histórica que precisa ser enfrentada de frente e a leitura é uma das principais armas contra o analfabetismo funcional.” Em outro ponto ele concorda que o hábito de ler existe mas a leitura simplesmente não vai resolver de todo o nosso problema. “É bem sabido, até por conta do que nós experimentamos agora nessas últimas eleições, que apenas o se informar ou o buscar ler não basta para que você possa compreender, possa saber se desenvolver e apresentar soluções para esse mundo. Muitas vezes é necessário que essa leitura seja uma leitura de formação.”

A taxa de analfabetismo calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra estagnação do analfabetismo absoluto no País, com 7% das pessoas (11,5 milhões) acima de 15 anos que não sabem ler ou escrever. O indicador tem como objetivo medir o quanto o brasileiro pode entender e se fazer entendido dentro de uma sociedade letrada. O Plano Nacional de Educação calcula erradicar o analfabetismo absoluto no Brasil até 2024.

 

Como criar o hábito e melhorar o senso crítico com a leitura

É comum algumas pessoas afirmarem que não têm paciência para ler um livro, entretanto, é tudo uma questão de costume, de transformar a leitura em prazer. Vale lembrar que, além dos livros didáticos, previstos em diversas fases dos estudos, é importante procurar por outras obras de interesse, independentes do conteúdo. Por isso, mesmo obedecendo o calendário escolar ou lendo as obras para o vestibular, por exemplo, os estudantes podem se dedicar a leituras descompromissadas, fazendo das férias tempo propício para isso. Poesias, romances, poemas, vale tudo quando a finalidade é viajar pelas páginas de uma obra literária. Jornais, revistas e periódicos também são ótimos companheiros de leitores assíduos. A leitura transmite conhecimento e cultura. O discernimento humano deve muito aos livros que permitiu que uma geração mostrasse a geração futura o que ela desenvolveu, suas pesquisas, testes e resultados bem-sucedidos de tarefas feitas por homens de sua época. Quando lemos bons livros estamos compartilhando e suprindo o conhecimento de outras pessoas sobre os mais diferentes assuntos.

Bons livros nos auxiliam a fortalecer o nosso senso crítico, isto é, a capacidade de ler e interpretar situações a nossa volta e ao mesmo tempo nos posicionar de maneira efetiva e contundente quer a favor, quer contra ou ainda com uma postura isenta. Quando analisamos algo precisamos fazer baseado em parâmetros concretos e precisamos expressar não só o conhecimento de causa, mas habilidade de diferenciar entre o simples e o complicado, o corriqueiro e o inovador e assim por diante. A importância de lermos bons livros é que eles manifestam cultura, pois pessoas que leem pouco tende a ter pouca cultura. Através da leitura somos capazes de conhecer detalhes surpreendentes do mundo ao nosso redor. Para Couto mesmo na comunicação temos analfabetos funcionais: “Na comunicação temos pessoas que sabem repercutir, mas não sabem pensar e mudar. Então, a leitura é fundamental, mas é uma leitura crítica, uma leitura dirigida, uma leitura que tem que ser estruturada principalmente dentro das salas de aula. Isso sim eu acredito que vai ajudar a mudar o nosso país. O analfabetismo funcional ele graça sobre todas as áreas e setores.”

 

Melhorando a escrita

Outra grande contribuição que o livro pode dar a uma pessoa é ajudá-lo a aprimorar a escrita ou a redação. Pessoas que leem pouco tendem a escrever mal. Quando escrevemos nós estamos reproduzindo de uma maneira direta ou indireta aquilo que sabemos, como sabemos, e que argumentos usaremos para mostrar este conhecimento. O hábito da leitura de livros é capaz de nos ajudar a desenvolver nossos argumentos, palavras, uso do idioma, entre outros recursos tão importantes para o desenvolvimento de uma redação aceitável.

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