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Mulheres lutam por espaço no jornalismo

Para quem assiste aos telejornais e vê Sandra Annenberg, Maria Júlia Coutinho ou outras jornalistas na telinha trazendo conteúdo, sejam elas repórteres, correspondentes ou mesmo âncoras e apresentadoras, não imagina a luta que foi a conquista desse espaço pelas mulheres. De acordo com os dados do Ministério do Trabalho a profissão de Jornalista sofreu um efeito de feminização ao longo do tempo, ou seja, há mais mulheres do que homens. Mas demorou até as mulheres adentrarem nesse território.

De acordo com José Hamilton Ribeiro, em seu livro “Jornalistas: 1937 a 1997”, na década de 1930 no Brasil, as redações eram pensadas como um ambiente masculino “Nem havia banheiro feminino. No Estadão, à noite, quando fervia o trabalho jornalístico, as mulheres não eram aceitas nem na mesa telefônica. Havia mulheres como telefonistas, mas só durante o dia. À noite, um homem é que operava”, conta José Hamilton no livro Jornalista: 1937 a 1997: História da Imprensa de São Paulo Vista Pelos que Batalham Laudas (Terminais), Câmeras e Microfones.  

A entrada das mulheres no Jornalismo se deu pela mídia alternativa, principalmente no começo do século XX, onde poderiam expor suas ideias sem serem censuradas pelos grandes veículos e, ao mesmo tempo, se inserirem na esfera pública. Composta por uma maioria a favor da oposição, muitas jornalistas publicaram seus trabalhos de forma anônima por medo de sofrerem retaliação. Tais veículos pequenos, muitos fundados por mulheres que tinham poder aquisitivo maior, acabavam por combater a mídia predominante.

Um grande exemplo de jornalismo alternativo, onde as mulheres tinham espaço de atuação, era o “Jornal das Senhoras” fundado em 1852 pela argentina Joana Paula Manson de Noronha no Rio de Janeiro. Em sua primeira edição, o jornal expôs uma crítica ao mercado editorial que não abria espaço para as mulheres, quanto mais em cargos de comando, pontuando no final “Ora pois, uma Senhora a testa da redação de um jornal! Que bicho de sete cabeças será?

Para o tempo, as notícias do jornal eram uma afronta muito grande, visto que nos grandes veículos, mesmo as publicações voltadas para o público feminino eram escritas por homens, de forma a envolver nos assuntos sempre a maternidade, o casamento e a religião.

De forma lenta e gradativa, as mulheres foram se inserindo nesse espaço, tendo um aumento no final da década de 30, quando a carreira foi profissionalizada com a criação de sindicatos, associações, divisão por editorias nas redações, exigência de diploma dentre muitas outras coisas motivadas com a inovação da tecnologia. Os números ainda eram muito baixos no entanto, em 1939 apenas cerca de 3% dos jornalistas eram mulheres na capital do estado de SP, os 10% só seriam alcançados em 1970 de acordo com o Ministério do Trabalho.

Segundo a mesma pesquisa feita pelo Ministério do trabalho, o verdadeiro salto ocorreu entre os anos de 1970 e 1986, onde ao final daquele ano as mulheres ocupavam 36% dos cargos dentro de redações, chegando até aos 40% dez anos depois. Do final da década de 1990 até a virada do século, 52% das vagas de jornalistas eram ocupadas por mulheres, contabilizando 6.131 funções jornalísticas ante as 5.640 ocupadas por homens.

De fato, a carreira hoje é mais procurada por mulheres do que por homens, mas engana-se quem pensa que a televisão e as redações viraram um ambiente feminino. A maior presença de mulheres com formação jornalística acontece no ramo das assessorias de imprensa e comunicação institucional, o qual é responsável pela contratação de seis a cada dez jornalistas no Brasil. Tais números mais altos já são vistos desde 1986, quando as mulheres totalizavam já 38% do segmento. Em 2004 já eram maioria: mais de 58%. Em 2007 o crescimento estabilizou em 58,82%.

A televisão e o rádio ainda são os que ainda menos contratam mulheres. Nos anos 2000, as jornalistas no rádio de na TV começaram a perder seu espaço, em 2004 estando presentes em apenas 39,23%. Tendo um crescimento pequeno até 2007, quando ocupavam 42,25%.

A diversidade nos cargos de formadores de opinião e desenvolvedores de conteúdo enriquece as informações por ter diversas óticas sob o mesmo assunto, além de promover a representatividade. A presença das mulheres nos meios de comunicação é um símbolo dessa conquista por espaço e por voz que vem sendo buscada a muito tempo e que sempre vai continuar visto que continua existindo a necessidade de lutar por respeito e igualdade.

Um exemplo dessa necessidade por respeito, são os recentes casos de assédio envolvendo jornalistas. Em resposta, o movimento “Jornalistas contra o assédio” foi criado para denunciar e combater tais casos,mostrando a raiz do problema: o machismo no ambiente jornalístico que ainda está presente nos dias de hoje, sendo uma herança não só dos tempos em que a profissão era completamente masculina, mas também da cultura da nossa sociedade com bases patriarcais.

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