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Netflix e o futuro da TV paga

Depois de seu lançamento em 2011 na América Latina, a Netflix se destacou como líder no mercado de VOD quando o mercado ainda estava em seu estágio primário. A ferramenta despertou na concorrência, tanto de SVOD quanto TV Paga a necessidade de inovação e criação de novos modelos de negócio.

Depois do “boom” em 2013, quando o total de assinantes de TV por assinatura cresceu em 43% comparado ao ano anterior, a realidade da TV começou a mudar, esse número nos últimos 3 anos está estagnado, com o crescimento da concorrência de ferramentas on demand de diversos gêneros, filmes e séries com a Netflix, esportes e infantis.

Abaixo o comportamento dos assinantes de TV aberta e por assinatura no Brasil:

A penetração de Netflix na América latina caiu de 76,7% em 2012 para 57% em 2016, essa curva de declínio é similar a dos Estados Unidos, onde a participação de mercado da Netflix começou a diminuir em 2012 como resultado do crescimento de seus competidores, como plataformas dedicadas exclusivamente a esportes, documentários e música.

Mesmo com o share de mercado não crescendo nos últimos anos, o número total de assinantes das plataformas de SVOD continuaram aumentando, a Dataxis projeta que as assinaturas de Netflix que em 2015 era de 6,10 milhões de assinantes possa aumentar para 15,12 milhões em 2021, representando mais de 49,6% do mercado na América Latina.

No final de 2015, o México era o país com o maior número de assinantes de Netflix da América Latina (com 40,2% do total de assinantes na região). Porém em 2016, o Brasil se tornou o mercado principal, com 40,8% do total de assinantes da plataforma. Segundo projeção feita pela Dataxis, em 2021, o Brasil vai ultrapassar a marca dos seis milhões de assinantes, se tornando o principal mercado no consumo da ferramenta.

Entrevistamos o Vice presidente e Entrevistamos o Vice-Presidente da BB- Business Bureau e Co-Fundador do LIVEPANEL, Tomas Gennari, que possui um vasto conhecimento a respeito das plataformas de OTT, para entender qual a sua visão para o futuro da TV paga e como as novas tecnologias estão prejudicando e aumentando a concorrência nesse mercado.

Me conte um pouco do seu trabalho na Business Bureau e a sua visão para o mercado de VOD;

Tomas : O que a gente faz aqui na Business Bureau na minha empresa, a gente faz pesquisa de mercado, somos focado em tudo que é mídia, televisão, entretenimento e telecomunicações, a gente faz especificamente pesquisa de mercado nessas indústrias, então faz algum tempo que começamos a fazer algumas pesquisas sobre as novas formas de distribuir e consumir conteúdo, e isso posicionou a gente  como um dos principais fornecedores de dados, por isso a gente trabalha com a HBO, FOX, Sky e também com a NET,e  a gente tem muito dado disso.

Você acha que as plataformas de VOD de Movies & Series está ameaçada com o crescimento de outros gêneros, como esportes, músicas, infantis e etc?

Tomas: O que está acontecendo é que tem uma TV por assinatura que está ficando bem quieta, já não está crescendo em quase nenhum mercado da América Latina e também não está decrescendo, eles estão quietos, nem ganhando e nem perdendo, é importante declarar. Não é que a TV por assinatura está morrendo, um dos principais conteúdos que tem a TV por assinatura ele é mesmo esportes, os conteúdos ao vivo isso tudo faz parte dos principais conteúdos que hoje tem a televisão linear, que é com horário fixo. Então, o importante é que as plataformas online, elas cresceram principalmente com filmes e séries, que são o forte.

Isso é o que a gente está assistindo de conteúdo online, os números mostram isso com muita força. Filmes e séries é um conteúdo favorito para assistir online em 80% dos lares, quando a gente pergunta em pesquisas pra eles o que estão assistindo online, 80% do tempo o conteúdo favorito vai ser relacionado a séries e filmes, mas porque está acontecendo isso, porque as plataformas que são donas dos direitos de esportes , elas somente agora estão começando a colocar conteúdos nas plataformas online, no Brasil você tem a Premier, Watch ESPN, Esporte Interativo. Isso apenas agora está começando, elas estão ganhando muito mais dinheiro quando colocam isso na plataforma linear, ganhando dinheiro por assinaturas e também das vendas publicitárias no linear.

As plataformas de VOD estão crescendo com muita velocidades, você acredita que talvez ela fique estagnada e passe a ter o comportamento da TV Paga, com o crescimento da concorrência?

Tomas: Agora com as plataformas de TV por assinatura começando a lançar boas plataformas de conteúdos online, com modelos de negócio mais inovadores, com bons conteúdos premium. Então na verdade como você chamaria de uma plataforma que é por exemplo lançada pela Sky, e que ela vai incluir os 200 canais que eles têm normalmente na televisão por assinatura, como você vai chamar esse serviço? Vai se chamar televisão por assinatura por mesmo sendo enviado por banda larga, como vai se chamar esse serviço.

Você está assinando televisão por assinatura e nem vai por cabo, nem vai por satélite ela vai por sei lá o que, qualquer seja o meio para chegar até o lar é válido, você está assinando um serviço que vai combinar um monte de, seja canais, filmes, series on demand, eles estão fazendo um serviço de comunicar os melhores conteúdos se são curados especialmente para você.

Vai ter as plataformas exclusivamente online, que não são de tv por assinatura, que elas também vão começar a oferecer canais ao vivo, vai ser uma combinação das duas. Isso com certeza vai ser mais grande do que temos hoje de tv por assinatura.

O que são os Cord Nevers e Cord Cutter?

Tomas: Cord never são lares que nunca tiveram televisão por assinatura, hoje o Brasil tem uma penetração de tv por assinatura que é de uns 36%, os 74% restantes mais ou menos você vai ter alguns que nunca tiveram televisão por assinatura. E os Cord Cutter vão ser aqueles que tiveram televisão por assinatura em algum momento e agora desligaram o serviço.

É bem fácil pensar que os mais jovens são os maiores cord cutter do que as pessoas mais velhas, não é tanto assim, a análise é mais complexa. O que a gente está vendo quando fazemos as pesquisas, é que os cord cutter e os cord never tem todas as idades, estão fazendo o mesmo negócio na mesma proporção.

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