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Projetos Sociais ajudam na socialização de Imigrantes no Brasil

A situação dos imigrantes e refugiados que vivem no Brasil e o papel dos projetos sociais na sua adaptação.  

Nos últimos meses, notícias e informações sobre a vinda de imigrantes ao Brasil estão circulando em diferentes meios. Há diferentes motivos para a vinda deles para nosso país, como a busca de oportunidades, até a evacuação de seu país de origem por conta de situações de guerra ou desastres naturais. Porém não se sabe como é possível ajudar e fazer parte da socialização dos imigrantes em um novo local.

O caso mais recente é a migração dos venezuelanos ao Brasil. Em estado de calamidade pública e enfrentando um confuso regime ditatorial, eles vêm ao Brasil em busca de melhores condições de vida. Em seu país, o salário mínimo não é suficiente para comprar uma cesta básica de alimentos. Como o Brasil é o país “desenvolvido” mais próximo, eles acabam migrando para cá.

Outro caso é dos haitianos. Após o terremoto em 2010, quase toda população ficou sem moradia. Nessa ocasião, estima-se que mais de 120 mil pessoas morreram. Calcula-se que entre 2010 e 2016, mais de 125 mil haitianos se refugiaram no Brasil em busca de um recomeço, uma esperança que parecia perdida após o grande desastre natural.

Contudo, pouco se sabe se o Governo Brasileiro desenvolve alguma política pública de acolhimento aos refugiados. Segundo a Professora de Direito Internacional e Direitos Humanos das Faculdades Integradas Rio Branco, Angela Tsatlogiannis, “o Brasil abre as portas, mas depois não dá condições”. Ela ainda afirma que muitos deles têm usado o Brasil como ponte para ir a outros lugares. No entanto, as pessoas que não migram para outro país mostram-se muito gratas por estarem aqui e terem alguma condição para se viver, mesmo que mínima.

Projetos Independentes

Só que esse sentimento nada tem a ver com o papel do governo. Essa ajuda, na maioria dos casos, vem de projetos de inclusão do terceiro setor, pelas mãos da sociedade em si, que acaba estendendo a mão e entendendo a situação dessas pessoas.

Um dos projetos que se tem conhecimento é o “Músico Cidadão”. Idealizado pelo músico e compositor Leonardo Bianchini, o projeto promove imersões culturais no intuito de mostrar ao público a riqueza de ritmos e amplitude cultural desses países. Ao mesmo tempo, abre um espaço para que os imigrantes possam mostrar um pouco de sua cultura, trazendo um sentimento de estar inserido nessa nova sociedade. Essa iniciativa, segundo Leonardo, “enriquece todas as partes e ajuda na inserção socioeconômica dos imigrantes que chegam a nosso país”.

Musico Cidadão

 

 

De uma forma geral, os imigrantes que fazem parte desses grupos conhecem e se relacionam sempre através de amigos e pessoas que estão na mesma situação de refugiados e imigrantes. Em uma dessas reuniões, Ibrahima Sory Sakho, 40, e Aboubacar Cisse, 42, ambos imigrantes da Guiné-Conacri, falaram como enfrentam a situação de estarem aqui em busca de oportunidades. “A vida aqui não é fácil e as aulas trazem uma boa ajuda no final do mês”, ressaltou Sakho, que era professor de Balé e também ensinava Djembe (popular instrumento de percussão de seu país). Aboubacar, que não fala português, é Mestre em percussão e também dá aulas em parceria com Sakho. Além disso, já participou da Orquestra Mundana Refugi, que tem como intuito acolher e integrar imigrantes de diversos países, que escolheram São Paulo como sua cidade, através da música.

Em busca de melhores condições de vida, eles querem fazer aquilo que sabem de melhor. Para Sakho, “a cultura de todo país é muito rica, e nós queremos mostrar isso para as pessoas, esse é o nosso trabalho”. No entanto esse trabalho é completamente informal e não recebe subsídio nenhum da prefeitura. “A prefeitura não ajuda em nada e eu não sei como eles podem nos ajudar”, disse ele.

 

Apoio do Governo e as ONG’s

O fato é que a Lei de Migração existe e está vigente desde 21 de novembro de 2017, substituindo o Estatuto do Estrangeiro. Esse decreto assegura direitos às pessoas que chegam ao Brasil em situação de refúgio – pessoas que saem de seu país sem perspectiva de retorno, geralmente em situação de guerras/regimes ditatoriais e desastres naturais – e também como imigrante – pessoas que trabalham ou residem e se estabelecem temporária ou definitivamente no Brasil, porém com possibilidade de retorno para seu país de origem. Mas essa nova diretriz ainda não consegue organizar todos os processos de entrada no país, muito menos garantir a inserção dessas pessoas na sociedade e no mercado de trabalho formal, inclusive com a emissão de Carteira de Trabalho.

Algumas organizações não governamentais também realizam ações de inclusão social e integração. Um dos mais conhecidos é o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, ACNUR. Funcionando em parceria com a ONU, essa agência realiza desde recolhimento de agasalhos, até programas de acolhimento a pessoas que passaram por casos de xenofobia e as mais variadas formas de preconceito. Porém, sem a tutela do Governo Federal, essas ações enfrentam o grande problema de não conseguir ajudar um número maior de pessoas, além da questão do orçamento, que grande parte é oriunda de doações de incentivadores da causa.

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