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Slow Fashion: a nova moda que enfrenta o capitalismo

Texto: Wallace Leray / Participação: Ana Rodrigues, Larissa Darc e Sarah Furtado

Movimento que vai de encontro com a atual modelo de fabricação no mundo da moda recebe investimento de microempreendedores que acreditam que o sistema é a melhor saída para o fim da produção desenfreada

Você sabe de onde vem o que você consome? Sabe de onde veio a roupa que você está utilizando? A pergunta parece distante, mas a resposta pode estar mais próxima do que você imagina. Nesse mundo capitalista, essa reflexão, realmente, pode passar despercebida, principalmente quando aquele item que você sempre quis, está com preço irresistível. O problema é que pessoas são usadas e exploradas para garantir que esse ciclo de consumo nunca pare. Por isso, é essencial você consumir consciente.  

Desde que o termo sustentável apareceu lá final dos anos 80, muitas empresas começaram aderir o novo meio de desenvolvimento por conta de toda essa conscientização que gira em cima do tema. Entretanto, ainda existem empresas que fecham os olhos para assunto e continuam usando de um sistema injusto para lucrar.

Um grande dilema que percorre no mercado da moda é a produção desenfreada. Esse processo causa problemas graves ao planeta, como o esgotamento de recursos naturais, a destruição de florestas e ecossistemas, que por consequência acarreta complicações de desertificação e mudanças climáticas, além do pior, a utilização de mão de obra análoga à escravidão. Considerando essas situações sociais e ecossistêmicas, novos empreendedores procuram investir em um novo modelo de negócios, o chamado Slow Fashion.

Novo Modelo

Slow Fashion, ou como alguns chamam aqui no Brasil, Moda Lenta, é um movimento que vai na contramão do modelo atual no mundo da moda, o Fast Fashion. Ele tem como objetivo incentivar a criação de peças atemporais em baixa escala para serem vendidas em lugares como ateliês ou similares. Ele também acredita na reutilização das peças e o compartilhamento entre amigos e familiares. Com isso, além de trazer mais qualidade à fabricação, a durabilidade é um dos quesitos que mais chamam atenção, pois ele extingue o descarte descontrolado.

O modelo já chegou ao Brasil, e vem crescendo aos poucos. Existe uma leva de microempreendedores que acreditam e investem nele. Caso da marca BASFOND, que produz todo o material vendido e sabe de onde saem as principais matérias primas de seus trabalhos.

BASFOND é uma marca de acessórios, gerida pelo casal Natália Haudenschild e Maíra Arcoverde. A empresa já tem dois anos de vida, mas segundo Natália, a ideia já vinha muito antes. Ela trabalhava em salão quando teve a ideia de montar o projeto. Quando era pequena fazia bijuterias e tinha várias coleções delas. Um dia decidiu unir sua técnica e criatividade e abriu seu próprio negócio.

Por uma questão de logística, tiveram que começar de uma maneira diferente do que elas planejaram. No início importavam produtos de sites estrangeiros e revendiam. Passado alguns meses, elas colocaram em prática a questão da produção autoral, desde o desenho até a própria produção. A gente sabe agora de onde que vem a nossa matéria prima principal, que é o acrílico. A fabricação é feita aqui no Brasil e quem corta é a gente, quem monta é a gente, a gente faz parte de todo processo de produção das peças. Então isso faz parte das nossas preocupações”, disse Maíra.

Mesmo que ideia da BASFOND seja sempre ser micro, Natália Haudenschild fala que se um dia viermos a ter funcionários, se a Bafond expandir de tal forma que a gente precise de funcionário, com certeza qualidade de trabalho e salário serão primordiais. A BASFOND é totalmente amor e nós queremos sempre transmitir essa atmosfera, não queremos entregar um produto sem possuir esse amor que depositamos”, conclui a microempresária.

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Maíra Arcoverde (à esquerda) e Natália Haudenschild (à direita). Foto: Robson Leandro

 

Com pensamento diferente e mais humanizado, os donos da marca Coletivo de Dois entraram no mercado há dois e hoje já dobraram os lucros. Em 2014, Hugo Mor e Daniel Barranco começaram a namorar e juntos decidiram criar o Coletivo de Dois. As peças feitas pelo casal é algo totalmente autoral e sustentável, eles utilizam de retalhos grandes para darem vida às suas criações.

Eles contam que são bastante questionados sobre o modo de produção. As pessoas os perguntam se caso um dia o empreendimento chegar a outros patamares, eles pensariam em mudar o conceito primordial. Hugo Mor explica que até então os dois dão conta da demanda e que hoje eles têm outras prioridades, como fizeram recentemente, a compra de uma nova máquina de costura. “Mas, quando chegar um momento em que a gente não conseguir mais costurar, já pensamos em contratar uma pessoa. Mas, pagando um salário bem justo, até quase fora do mercado, porque a gente sabe que o trabalho de costura é difícil, muito explorado e mal remunerado. A gente quer o contrário, o avesso dessas imagens negativas que essas outras marcas têm”, disse o estilista.

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Hugo Mor (à esquerda) e Daniel Barranco (à direita). Foto: Robson Leandro

 

Sabe-se que o que mercado da moda é muito competitivo e que para um negócio tenha sucesso não basta apenas investimento, tem que muita força de vontade e acreditar. Por mais difícil que seja no começo, desistir nunca será a melhor saída. Os representantes da BASFOND e Coletivo de Dois deixaram um recado para quem sonha em abrir seu próprio negócio. Escute:  

 

 

Se você gostaria de conhecer melhor o trabalho dessas empresas, basta ver a seguir as informações de cada uma delas.

 

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Serviço

Caso você esteja em São Paulo no dia 17 de dezembro, dá pra você conferir de perto as peças dos dois projetos no Jardim Secreto Fair, localizado na Praça Dom Orione, bairro da Bixiga, altura do número 835. O evento  ficará aberto das 11h00 até às 20h00, contando com a presença também de outras marcas microempreendedoras. Para mais informações, entre no link do evento: www.facebook.com/events/207910806320678.

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