home 16ª Jornada de Comunicação, Atividades laboratoriais, Coberturas Última noite da Jornada de Comunicação traz as dificuldades de se fazer jornalismo independente

Última noite da Jornada de Comunicação traz as dificuldades de se fazer jornalismo independente

Na última noite da 16ª Jornada de Comunicação das Faculdades Integradas Rio Branco, os jornalistas Fausto Salvadori, do coletivo Ponte.org, Maria Tereza Cruz e Leonardo Leomil, ambos do canal Cenas da Cidade, debateram sobre jornalismo independente no Brasil.

Maria Tereza abriu o debate com a exposição de um vídeo sobre o Parque Augusta, e esclareceu a região em que o parque está é alvo de um processo no Ministério Público (MP). As construtoras (Cirella e Cetim) não cumpriram o termo de ajustamento, pois apesar de tratar-se de uma área privada, é um local de interesse público. Com isso, as construtoras já acumulam duas derrotas nesse caso. Além disso, o parque possui construções tombadas, espécimes de animais, uma ampla área de preservação ambiental, onde um tapume delimitava a região em que as construtoras poderiam realizar obras. Também explicou que os vídeos do canal são concebidos para ser uma reportagem que não se esgota, mostrando o lado obscuro, com uma voz por vídeo. Ressalta também que o Cenas da Cidade tem um posicionamento político, porém, não se priva de ouvir todos os lados.

Leomil afirmou que o grande desafio de se fazer jornalismo é a necessidade de, diferentemente de qualquer outro negócio, vender o produto duas vezes. A primeira, de graça, para conquistar o público, e sobreviver durante esse período. Depois, é preciso vender novamente, dessa vez, para os anunciantes. Além disso, ressaltou que, nas faculdades de jornalismo, o maior valor da faculdade não é aprender a fazer reportagens, mas sim, ensinar o aluno a pensar, debater, a ética, a moral.

Apanhar ou ser morto sem motivo na periferia é algo comum. A população negra e pobre é esculachada diariamente. A Ponte surgiu há cerca de dois anos, por repórteres egressos da grande imprensa que queriam trabalhar com questões ligadas à violência policial, onde pessoas que fazem a grande mídia e o governo não frequentam, portanto, não fazem ideia de como é. “Morto na favela vira número, estatística. Morto de classe média vira novela, tem sua história contada por dias”, afirma Salvadori. Uma das dificuldades encontradas pela Ponte é a linguagem, que gostaria de ser menos conservadora. Não dá para ser engraçadinho, nem leve nos assuntos tratados. Outra dificuldade é que, na atualidade, não basta ser apenas repórter, é preciso também ser empreendedor, descobrir e criar.

Um dos pontos em que todos os jornalistas do debate concordaram  é que buscaram um trabalho mais independente para suprir a vontade de fazer algo diferente. Demanda essa que não era cumprida em seus empregos na grande imprensa. “Trabalhando na velha mídia, só seremos respeitados se formos fortes politicamente e sindicalizados”, finalizou Salvadori.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *